Otávio Miranda era um sujeito sem graça, do tipo que atravessa a rua esbarra no teu braço e você minutos depois não lembrará mais o rosto dele. Aos 53 anos de idade já tinha a cabeça totalmente grisalha e se recusava em pinta-la. Traços retos, rosto simétrico, pelo bronzeada de muitos anos velejando.
Casado há quase trinta anos com Vera Klein Miranda, mulher vaidosa que mesmo já a porta dos 60 continua parecendo a mesma menina mimada que conhecera quando era adolescente em uma viagem a Ilha Grande. Os filhos não vieram, primeiro por egoismo de Vera que recusava em abdicar anos de sua vida para cuidar de meninos e temia por seu corpo também. Depois veio o problema no útero.
Um homem aparentemente comum, que cumprimentava o porteiro e sempre dava gorjeta na padaria. A primeira excentricidade vem pelo seu fascínio por organização, ordenar e calcular coisas incomuns. Tem guardado numa agenda a quantidade e os dias que conseguira levar sua mulher ao orgasmo. Criou medidas para estresse, ansiedade, medo e outra coisas imensuráveis.
A primeira terça feira do mês, das 7:00 as 8:00 da manhã era a melhor hora do mês. Era quando desenrolava do tampo do fundo falso da gaveta de cuecas um envelope com fotos e gráficos.
As fotos sobre a cama dispostas em quatro fileiras de cinco e uma fileira de quatro, traziam imagens de mulheres semi-nuas ou totalmente peladas nos mais diferentes lugares. Algumas apareciam acorrentadas usando cinta liga e mais nada, outra foto mostrava uma moça loira deitada sobre a grama usando orelhinhas de coelho e com os seios rosados a mostra.
Os graficos traziam numeros complicados, dados confusos, previsões e estatísticas. Havia uma lista com o nome de 25 mulheres, 23 riscados com caneta azul, um riscado de caneta vermelho e um onde não havia anotação nenhuma, o ultimo nome da lista, onde lia-se “Débora Teixeira Alves”.
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