Caso tenha esquecido de fazer um exercício – na época do colégio – da lista de “para casa” será exatamente esse “um” que a professora irá lhe arguir. Se pensar em um número e não jogar será este o número premiado e para não fugir a regra o gerente de RH ligou marcando a entrevista para a improvável cinco horas.
Não ligou avisando à Sofia que não iria, mas outro dia marcaria outra coisa.
Na quinta pela manhã Rui ligou novamente, mesmo dia que descobriria que fora aprovado pela empresa de softwares.
Sofia atendeu descompromissada e feliz, parecia não escutar as explicações sobre o bolo que Rui dera na segunda, muito menos os “não tenho dinheiro” quando ela o convidou para uma boate em Ipanema. Louquinha, uma louquinha que Rui estava... estava... alguma coisa.
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Os cabelos ondulados dançavam lentamente com o vento que batia ali na parte de fora da boate. Rui achava lindo. Sofia parecia tão adaptada aquele ambiente, sorria muito de coisas que Rui não conseguia prestar atenção.
Quando entraram, as três amigas de Sofia que os acompanhavam desapareceram na pista de dança lotada. Sofia dançava com o corpo próximo ao de Rui. A luz do estroboscópio fazia tudo parecer um sonho. O sorriso dela congelado em fotos sequenciais, tão perto que poderia sentir o cheiro do batom.
O tempo passava de forma tão estranha. E a mera menção de puxá-la para um beijo fez sua boca secar e coração disparar. Como ela fazia aquilo?
Em um passo mal ensaiado o corpo de Sofia colidiu com o dele. Mas não de forma suave e harmoniosa como um dançarino habilidoso chamaria sua amada para junto de si, o que aconteceu foi apenas um choque, fruto de um esbarrão. Um senhor de pele avermelhada e cabelos brancos se virava para desculpar-se.
O senhor de cabelos brancos sorriu ao encontrar os olhos Sofia. E a voz do homem saiu com forte sotaque italiano:
__ Esta gostando da noite, Anne?
Anne? Por que aquele homem que surgira do nada chamava Sofia de Anne?
__ Vamos sair daqui, Rui__ Ela pediu, já o puxando pelo braço.
O homem não fez nada para impedir. Parecia um predador sádico que se delicia com a expressão de horror da presa que após uma leve mutilação a libera só para vê-la escapar sangrando.
Naquela noite Sofia não explicaria nada a Rui.
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