Capitulo 12

_ É, isso é bem estranho mesmo. Mas desde aquele dia você nunca mais falou com ela? __ Neto perguntava a Rui sem tirar o olho da tela do computador.


__ Não __ Respondeu Rui,sentado na cadeira giratória empurrando o saco de pancadas que ia até quase encostar na porta do armário e depois voltava no seu antebraço. __ Não liguei porque não tenho o que falar, entende?

__ Sei... Diz que quer revê-la, simples!

__ Não sei se é tão simples.

__ Por que?

__ Não sei, acho que há alguma coisa estranha. Ela é misteriosa de mais__ Rui olhava pela janela, ali do oitavo andar e na posição que se encontrava, as únicas coisas que podia avistar eram os prédios vizinhos. Uma moça se debruçava na varanda olhado o movimento lá em baixo,pela distancia não conseguia ver o rosto. Mas estaria pensativa. Quem sabe só estivesse pensando em que boate ir à noite, ou que roupa de grife comprar. Não, ninguém se prende ao vazio para pensar superficialidades, quem sabe sofresse por algum amor misterioso. __ As vezes temo o que vou descobrir.

__ Olha o tamanho do peito dessa mulher, caraca!

__ Cara, desliga essa porra.

__ Deixa de ser boiola, por isso a magrinha ninfeta te faz de otário. Porque você é um boiola. __ Neto voltou-se para encarar Rui, falava em tom sarcástico.

Houve silencio no quarto. Rui pensava nas vezes que já vira Sofia beijando outros caras e Neto pensava como alguém podia gostar tanto de uma pessoa que não lhe dá atenção.

__ Cara, existem milhares de mulheres só nessa merda de cidade. Não vale a pena se apegar a ninguém, nada é insubstituível. __ Neto olhou para o chão, coçou a cabeça e continuou: __ Pra mim ela é apenas mais uma dessas vagabundas que Angra e eu cansamos de comer por ai. Só que essa é vaidosa e gosta de ter um babaca que a bajule e finja preocupação. E eu não quero que o meu amigo seja essa babaca, merda!

O discurso machista de Neto não o comoveu muito, permaneceu sentado e dessa vez o saco de pancada voltou com mais velocidade e o acertou desprevenido no rosto.

Neto também não se moveu. Permaneceu sentado de lado para o computador, encarando o amigo que massageava o maxilar.

__ O que você se tornou? __ A voz de Rui saia fraca, a dor no maxilar incomodava mas sentia como se uma cinta apertasse seu peito, comprimisse seu torax e deixasse a cada segundo a respiração mais dificil e dolorosa. __ Na época de colegio a gente fugia junto pra não levar uma surra dos garotos só porque não dávamos cola a ninguém. Você era apaixonado pela Gabi, e sempre dava a parte recheada do seu biscoito a ela. A Gabi também é só mais uma vagabunda agora?

__ Cala a boca, você ta ficando realmente maluco. Nem faço ideia de onde anda essa garota.__ Neto enfiou a mão no bolso e tirou o celular __ Toma, liga pra ninfeta. Descobre onde ela está e desencana logo dessa porra.

Rui pegou o telefone. Ficou um tempo em silencio olhando o aparelho.

__ Tá ok, vou ligar. __ O telefone caia direto na gravação informando que o numero estava desligado. Tentou mais duas vezes e depois disse descontente: __ Desligado.

__ Rui, sabe o que eu acho? __ começou Neto, o rosto debochado __ Você devia largar de vez essa mulher ai e voltar a atacar meninas bêbadas e deixa-las peladas no meio festa.

Os dois começaram a rir. Vez ou outra Rui tinha lampejos que traziam a cena mulheres nuas e calcinhas enroscadas no punho.

__ Eu não entendo por que você insisti tanto com essa garota __ Continuou Neto __ Primeiro eu achei que era só uma meta passageira, e admirei teu foco. Mas depois percebi como você fica quando esta com ela. Rui, não vale a pena.

__ O que não vale a pena? Gostar de verdade de alguém?

Neto deu um risinho de canto de boca soprando ar pelas narinas.

__ Você está parecendo uma menina falando assim... Só acho que você esta desperdiçando seu tempo, e isso me deixa um pouco puto.

Nenhum comentário: