__ Neto, olha, eu não vou demorar muito não __ Avisou Rui abrindo a porta do elevador __ Amanhã eu trabalho.
__ Consegue voltar sozinho? Sei que horas vou voltar não __ disse Neto em tom despreocupado entrando no elevador __ Mata o trabalho.
Aquelas palavras soavam fácil para ele porque nunca precisara realmente trabalhar. Não era como Rui que depois do sumiço pai teve o padrão de vida qual era acostumado reduzido a quase nada. Em dezembro, completará cinco anos que nunca mais teve noticia do velho Edu Alves, seu pai e proprietário de três construtoras e de inúmeros imóveis por todo mundo. Também autor de um golpe milionário tão bem realizado que ninguém sabe onde ele possa estar. É como se de repente ele tivesse deixado de existir, entrado em outro mundo. Todo o dinheiro das empresas também sumiu sem vestígios. A policia daqui esta contando com a colaboração da policia de outros países, mas até agora sem êxito.
Mas para o Sr Antoine Guidorizzi Neto, ou simplismento Neto, as coisas eram bem diferentes: O único emprego que tivera na vida fora como contador Junior em uma empresa de um amigo do pai dele. Foi demitido na segunda semana. Durante uma festa de confraternização da empresa ele ficou bêbado, apertou os seios da secretária, cantou a gerente de RH e vomitou o vestido importado da mulher do diretor da empresa. Neto contou ao seu pai que pedira demissão por conta própria porque queria voltar a estudar. E desde então ele se dedica à cursinhos, e com um pouco de sorte estará indo para o quarto ano de pré-vestibular.
Quando o elevador parou na cobertura já podia escutar a musica eletrônica vindo da festa. Um grupo de três garotas conversava perto da escada de incêndio. Na parte coberta, onde ficavam as mesas com comidas e os freezers, algumas meninas dançavam de sutiã sobre uma mesa. Na parte de fora algumas pessoas conversavam perto do parapeito e entre essas pessoas Rui reconheceu Sofia, sozinha debruçada sobre o parapeito, olhando para a rua lá em baixo.
__ Oi __ Disse Rui aproximando-se. __ Posso ficar aqui com você?
Ela se virou para vê quem falava, e ao encontrar Rui ela sorriu surpresa.
__ Não sabia que vinha. __ Ela disse, num tom lento não habitual.
__ Sou amigo do Neto. __ Rui olhou nos olhos de Sofia e perguntou: __ Você esta bem?
Ela não respondeu. Apenas abaixou os olhos e deixou escapar um sorriso vazio.
__ O que aconteceu naquele dia?
Ela continuou calada. Mas dessa vez manteve o olhar.
__ Sabe Rui, eu... __ E foi interrompida por Angra, trazendo uma bebida em cada mão.
__ Eae Cara, tudo certo? __ Disse Angra se aproximando __ E você? Aceita?
__ Perguntou oferecendo o outro copo a Sofia.
__ Olha que gentileza __ Disse Sofia sorrindo __ Adivinhou! “Pina Colada”, perfeito!
__ E você deve ser a Sofia, acertei?
__ Sim, __ respondeu com um sorrisinho, o copo perto dos lábios __ E você?
Rui deixou os dois sozinhos nesse momento, não fazia sentido ele continuar ali. E nem entendia como alguém podia mudar de humor tão rapido.
Foi até o Freezer e se serviu de com uma dose vodka com abacaxi. As meninas já não tinham mais sutiã. Duas dançavam bêbadas apenas de shortinho enquanto a outra beijava uma garota no sofá.
Enquanto bebia, e assistia as investidas de um cara tentando beijar a dançarina sem sutiã, ele imagina Angra e Sofia. Imaginava mãos e movimentos, mas pela primeira vez aquilo não o torturou. É estranho conceber que existam pessoas que sejam capazes de sorrir e parecer agradáveis para todo mundo. Ela era solta, e talvez nunca viesse a pertencer a ninguém.
A garota já estava quase ao lado de Rui. Nem havia reparado que ela estava se deslocando tanto pra fugir daquele cara, os braços tentavam manter o corpo longe dele que insistia na aproximação. Ela colocou a blusa. Olhos castanhos encontraram os olhos de Rui.
Quando a rapaz desistiu ela foi ao bar, recostou no balcão ao lado de Rui, e se serviu de uísque. Rui olhou novamente, ela voltou o rosto e sorriu. Ele sorriu em resposta.
__ Cara chato, heim?! __ iniciou Rui.
__ Ehhh... __ ela deu outro sorriso, a maquiagem estava um pouco borrada e ela bêbada.
__ Às vezes é difícil para as pessoas interpretarem as reais intenções dos outros. __ Disse Rui, chegando mais próximo para falar __ E nem sempre quem sorri pra você quer seu bem.
__ O que você quer disser?
__ Nada.
__ Você é engraçado.
__ Não é a primeira a falar isso não.
Ela riu de novo. E quando se preparava pra pegar o copo e partir Rui seguro-a pelo braço.
__ Não disse seu nome.
__ Liz.
__ Isso é apelido?
Ela começou a rir de novo, e quando Rui percebeu que ela olhava para seus lábios puxou-a para um beijo.
__ Vem cá, vamos lá pra fora. __ Convidou Rui. Na verdade ele tinha a intenção de ver como Angra e Sofia estavam.
Do lado de fora muitos casais já haviam se formado mas nem sinal de Sofia.
__ Ta procurando a namorada?
__ Que? __ Perguntou Rui.
__ Se ela tiver aqui eu entendo, a gente pode ir para outro lugar.
__ Que lugar?
Ela apenas riu. E tropeçando conduziu Rui até o quarto onde as bolsas estavam guardadas.
__ Tenho a chave __ Enfiou a mão no bolso do shortinho e deixou cair no chão um molho de chave. __ Caramba, caiu. __ E começou a rir de novo.
Rui pegou a chaves.
__ É a prateada compridinha...
Rui abriu a porta. O lugar tinha apenas duas mesas, e muitas bolsas largadas sobre elas e no chão.
Liz fechou a porta e começou a beijar Rui. A única luz vinha da festa, filtrada por um basculante no alto. Rui beijava-a no pescoço, as mãos por dentro da blusa apalpando os seios. Ela já fazia movimentos com a mão dentro da calça dele. Ela desceu o short. Os beijos aqueciam. Com os dedos, beijando os seios, ele descia a calcinha dela. Rui preparava para tirar o jeans quando escutou uma voz familiar.
__ Oi, tem alguém ae? __ Sofia falava batendo na porta __ Tenho que pegar minha bolsa.
Rui subiu as calças de novo e abriu a porta. A calcinha de Liz na mão.
__ Rui? __ Ela parecia um pouco assustada. __ cadê minha bolsa? __ Ela parecia censurar Liz com os olhos, esta que assistia tudo parada. A atitude brusca de Rui em abrir a porta não dera tempo a ela de agir.
Rui reconheceu a bolsa vermelha da Prada que ela usava e entregou-a.
__ Já ta indo? __ Perguntou Rui, Mas não houve resposta. Ela apenas saiu e Rui seguiu atrás deixando Liz nua gritando “filho-da-puta, volta!” sozinha no quarto.
Ela estava quase correndo e conseguiu entrar no elevador antes que Rui tivesse tempo de se aproximar. Desceu os doze andares correndo, tropeçou em alguns, caiu no terceiro andar, mas conseguiu chegar a tempo de vê-la saindo do estacionamento no carona do carro do mesmo senhor de sotaque italiano que ele vira na boate.
Um taxi saia da garagem vizinha e sem pensar duas vezes Rui entrou.
__ Siga aquele carro __ A frase mais clássica dos filmes policiais foi o maior erro da vida de Rui.
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