Capitulo 8

__ Pode parar o carro aqui __ pediu Débora em tom educado __ Obrigada pela carona.

A rua estaria completamente vazia se não fosse pelos gatos que rasgavam as sacolas de lixos. Não havia lua, e a única luz vinha da entrada do prédio.

__ Tem certeza que não quer que eu te acompanhe até seu apartamento? __ Perguntou Otávio, numa forjada demonstração de cavalheirismo.

__ Não, obrigada __ A porta do carro já estava aberta e Débora já se preparava para lançar a segunda perna para fora do carro quando ele a puxou num beijo.

Ele era muito mais forte. E o beijo durou até Débora empurrá-lo e sair do carro. Otávio contornou o carro e correu atrás dela. A perseguição durou poucos passos, apenas a distancia entre o carro na calçada e o portão de ferro na entrada do prédio. Ela era mais rápida.

Subindo os lances de escada correndo, ela tentava ouvir se ele havia desistido, se haveriam passos atrás dela, ou barulho do portão sendo forçado.

Quando chegou, a casa vazia, sentou-se no chão, as costas contra a porta. E chorou.

Por que tudo sempre tinha que dar errado? Até quando se esforçava para dar certo, as coisas davam errado. Acabara de ser assediada, agredida, pelo marido de sua tão recente sócia.

Aquele dia parecia tão perfeito, elogios e mais elogios para o bufê, decoração, orquestra selecionada. Começariam a ter lucro depois dessa festa, mas agora não saberia se teria estomago de rever Verinha, sua sócia, sabendo que teria que estar de frente com Otávio. Mas mesmo que ele não estivesse presente, Vera além de sócia era sua amiga, e não era certo deixar uma amiga ser enganada por um verme como aquele.

Débora sempre soube, ou sempre suspeitou que Otávio a olhava com desejo. Mas talvez fosse impressão, quem sabe todos esses meses sem sexo tivesse mexendo com a cabeça dela. E a corona ia cair tão bem já que era tarde e uma corrida de taxi da Barra até o centro em bandeira dois não sairia barato.

Mas o que iria disser? Que a sociedade simplesmente acabou? Ao mesmo tempo que sentia nojo de Otávio também não se achava no direito de interferir num casamento de mais de três décadas.

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