Capitulo 10

Os pingos de chuva corriam pela janela do taxi. Aquela hora da noite não era difícil seguir o carro de Sofia. Rui pensava em quase nada, sentia os olhos do taxista queimando de interrogação pelo espelho, mas tudo em silencio. Sentia o cheiro da chuva que vinha pela janela quase fechada, e os pingos que acertavam de vez em quando. Teve vontade de desistir. Qual sentido daquilo? Para que segui-la?


Quando passava pela Presidente Vargas o carro onde Sofia estava começou a encostar. Estacionou próximo a um ponto de ônibus. Rui observava tudo. Ela desceu e o carro seguiu. Rui abriu a porta e saiu do taxi.

__ Calma ae, você tem que me pagar a corrida __ O taxista falou apressado. Mas Rui não queria perder Sofia de vista.

Ela andava graciosa e ligeira, sozinha naquele lugar deserto e frio.

__ Cara, você não me pagou __ O taxista estava atrás dele.

__ Toma __ Disse Rui sem reparar que estava entregando a calcinha rosa de Liz que ele vinha trazendo enrolada no pulso.

__ Cara, olha aqui, eu to falando serio __ O tom do taxista havia mudado, ele jogou a calcinha no chão __ Tem uma viatura parada logo ali e...

Rui abriu a carteira e entregou a única nota de cinquenta que havia dentro dela.

__ Toma cuidado com a vida, maluco __ Disse o taxista arrancando com o carro.

A chuva começou a cair mais forte. Não havia mais sinal de Sofia. Olhou em volta, só havia lojas fechadas que agora suas marquises serviam de proteção para mendigos, prédios altos de luzes pagadas, cheiro de urina misturada a cerveja, mais nada... Continuou andando, ela não poderia ter ido muito longe.

Estava tão concentrado escutando os barulhos da rua e se questionando onde ela poderia ter ido ou o que estaria fazendo que teve um sobressalto quando celular tocou avisando a chegada de uma nova mensagem.

“Eh perigoso continuar me seguindo.
 Ele percebeu.
 Dps a gnt conversa,
 Bjs,

 Sofia.”

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